terça-feira, 27 de novembro de 2012

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"É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.
Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido te alguém que não aceitamos que ele esteja.
Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.
Difícil é amar quem não está se amando.
Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente."

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ah, se ja perdemos a noção da hora, se juntos ja jogamos tudo fora. Me conta agora como hei de partir?

sábado, 25 de fevereiro de 2012

mais perto...

E eu quero te fazer sorrir, brincar de contar os sinais do teu corpo e te fazer leite quente antes de dormir. Quero usar as suas roupas depois de tomar banho, sentir o cheiro do teu perfume exatamente na curva do teu pescoço e ficar com sono enquanto eu te ouço falar.  Quero te tocar. Te olhar. Eu quero dizer que adoro te ver desenhar, me vingar te fazendo cócegas, rir das tuas caretas e das tuas piadas. Eu quero não rir das tuas piadas. Quero sentar no terraço e esperar você chegar. Abrir o portão, fechar as portas.
Eu quero te esperar na cama enquanto você toma banho, beijar seu rosto ainda molhado, te fazer massagem. Quero segurar sua mão e caminhar pela rua, dividir o mesmo sorvete, tomar coca-cola no mesmo canudo e não ligar pra isso. Te encontrar em qualquer lugar e conversar sobre meu dia. Eu quero saber sobre seu dia. Rir das minhas neuroses. Quero ouvir sua voz no meu ouvido, sentir sua pele na minha e seus lábios nos meus lábios. 
Quero te mostrar músicas que você não vai gostar. Ouvir suas músicas que certamente eu vou adorar. Ver filmes bons. Ver filmes ruins. Eu quero te contar sobre o episódio que vi daquela série enquanto você estava a faculdade. Te querer quando acordar, mas te deixar dormir um pouco mas e ficar deitada do seu lado, só olhando. Te dizer o quanto adoro o seu sorriso, seus olhos, seus lábios, suas pernas, seu pescoço, suas costas. Dividir o mesmo lençol, e ficar com frio quando você rouba ele de mim, e ficar com calor quando você não rouba. Te querer quando te cheiro. Me derreter quando você ri, e me desarmar quando você sorri. Não compreender porque você pensa que eu estou te deixando e e pensar como você pode achar que eu alguma vez te deixaria. Me preocupar quando você não me dá noticias e demora pra me ligar. Adorar quando você chega antes da hora. Te dar um livro. Aprender sobre assuntos que você gosta. Me arrepender de te deixar queto e me aquietar quando você disser que esta tudo bem. 
Quero olhar suas fotos e desejar ter te conhecido desde sempre.  Te abraçar quando está angustiado, ser abraçada quando eu estou. Quero te irritar, te desejar e fazer manha quando eu estou perto. Fazer manha quando estou longe. Te perguntar porque não acredita em mim e ter um sentimento tão profundo que para este não existem palavras. Quero te contar o que há em mim de pior e tentar te dar o meu melhor. Responder suas peguntas quando deveria não responder, e te dizer a verdade quando na verdade não quero, e me esquecer de quem eu sou, e tentar chegar mais perto de você, cada vez mais, e fazer amor contigo as três da manhã... 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair, e me quebrar inteira na queda para depois restar incompleta, destruida.Talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morta, mais indefinida - e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero. Que espécie de coisa o cigarro queimou, além dos cabelos? Sei que foi mais fundo, mais dentro, que nessa ignorada dimensão rompeu alguma coisa que estava em marcha.Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse ao meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado, sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que voce tinha, assim como não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Voce sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação,caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. Caio F. de Abreu