quinta-feira, 28 de outubro de 2010

mais uma de amor pra quem não ama.

Ele me espera no restaurante das árvores. Diz que até o garçom já sabe que eu sou como sou, de tanto que ele não tem outro assunto. Ele me espera, pede mais pãezinhos, ensaia um bom vinho para mim, limpa o suor da cara no guardanapo. E vai esperar por toda a noite.
Mal sabe ele que acabo de responder a uma mensagem de texto dizendo que vou chegar em minutos. Ele me espera com a porta do banheiro aberta, enquanto esfrega seu centro num ato de pureza. Ele quer sacanagem comigo, mas daquele tipo de sacanagem pura com direito a perguntar baixinho "tá doendo"?
Não muito longe dali ele se prepara para sair com os amigos, seus amigos tão deliciosos quanto ele. Passa o mesmo perfume que eu, mas na versão masculina. Seu charme está em ter transformado a sua dor em ironia. Adoro pessoas sofridas. Adoro o ódio medroso e óbvio das pessoas sofridas. Talvez amanhã a gente possa se odiar juntos, num ato de sinceridade livre e animal perante tantos amores pálidos pela cidade corretinha. A cidade corretinha que faz bodas disso e bodas daquilo, mas se entope da porra do Prozac, mas se entope da porra do canal de sexo com aquelas mulheres de sobrancelha desenhada. Mas se entope da porra da opinião dos outros sobre o que é ter chegado lá. Ninguém chega a porra de lugar nenhum.
Mas eu chego, e estaciono meu carro lá dentro, como se fosse dona do pedaço. Ao menos por algumas horas eu serei dona de um pedaço que agora é esfregado no banho em mais um ato de pureza. A sacanagem óbvia é muito mais pura que o ódio envergonhado das bodas disso e das bodas daquilo.
Ele pede a conta e vai embora. Jantou sozinho, o coitado. Se tenho pena? Nenhuma. Nenhuma. Cavoco meu ser até quase me virar do avesso para resgatar um pouco de bonitinho em minha alma, mas descubro que não tenho nenhuma pena dele. Não gosto de quem não amo e ponto final.
Ele encontra os amigos deliciosos e vai ganhar a noite. Se perde muito para tal. Mas ganha alguma coisa sim, sempre se ganha alguma coisa. Talvez uma rinite alérgica ou um buraco no peito. Mas sempre se ganha alguma coisa na noite.
Eu espero comportada do lado de fora enquanto ele termina de se esfregar. Sei da bucha porque sua pele chega quente e vermelha. Tenho vontade de colar minhas veias na dele para que meu sangue ganhe aquele mesmo movimento. Desde que ele me contou numa noite besta que queria salvar o mundo e isso não me soou mais um papinho furado sobre salvar o mundo, fiquei assim. Tenho vontade que meu sangue e o dele passeiem juntos.
Nós vamos mais uma vez nos olhar querendo transar até amanhã, mas vamos apenas assistir à novela e tentar adivinhar as falas. Nós vamos mais uma vez querer atravessar as ruas de mãos dadas, mas vamos brincar de dar ombradas um no outro. Eu prefiro morrer sua amiga do que quebrar algum elo misterioso e te perder para sempre. Te perder como sempre.



Ele escuta uma dessas músicas da modinha ao estilo Madeleine Peyroux antes de dormir e tenta entender qual é o meu problema. Será que eu não fui porque ainda sofro por aquele amor mal resolvido? Será que eu não fui porque tenho medo do amor? Será que eu não fui porque tenho medo de sofrer? Ahhh, os homens apaixonados. Ainda mais burros que as mulheres que acreditam na dor irônica. Eu não fui apenas por uma razão: eu não gosto de quem eu não amo e fim de papo.

Tiro o carro da garagem dele e corro para encontrar o outro e seus amigos deliciosos. Ele tem braço de estivador e tem um buraco entre o começo da perna e o fim do tronco. Coisa de homem sarado. Só não digo que ele parece o Bob da Barbie porque esse era eunuco e vivia rindo. Se bem que ele vive rindo e ri tanto que não parece ter centro. Parece eunuco.
Adoro sua virilha, sou obcecada por ela. Adoro seus amigos fortes. Adoro tudo o que dói nele, como diria aquela fala do filme "Closer" que eu adoro. Adoro que posso encontrá-lo sempre depois das três da manhã, sempre depois dos jantares que eu não vou e das transas que eu não faço. Adoro que posso morrer por ele ou nem lembrar que ele existe. Amor de pica é assim mesmo: o maior e o mais leviano de todos.
Ele acabou de me descobrir pela Internet e dorme tentando me encontrar, tentando me encaixar. Sente uma pontada no peito e uma pontada lá embaixo. Deve ser engraçado ser homem e amar assim de maneiras tão opostas e complementares. Ele não sabe que tudo o que eu mais quero é casar e ser mãe de um casalzinho que dança pelado antes do banho. Mas esse meu querer está esquecido em algum canto de mim, está esquecido depois de tanto eu querer isso e a vida me dizer que eu ainda não podia.
Ganhei a porra da dor irônica. Ainda que seja estupidez acreditar nela. Agora o que eu quero é saber que o outro se esfrega no banho, que o outro se fode no restaurante, que o outro me espera sempre depois das três e tem amigos deliciosos. Que o outro é especial demais, mas talvez ainda não seja o personagem principal daquela festa de final de novela, com todos os personagens de bem. Está acabando a história, mas ainda dá tempo de não amar mais um pouquinho. Mando uma mensagem para ele, que a essa altura dorme abraçado a uma menina que já encheu o saco, achando que encontrou a mulher da vida. Mando uma mensagem para ele, que a essa altura dorme demais como sempre e já deve ter me esquecido, mesmo lembrando de mim em todos os intervalos de coisa melhor pra pensar. Mando uma mensagem para ele, ainda que ele já tenha desistido do amor e prefira o cheiro de chiclete com chulé da nuca da sua filha.
Durmo com mais de trinta homens, e mais uma vez sozinha. Mas esse texto, juro, é uma comemoração a isso. No fundo, no fundo, eu gosto. Ainda que eu me sacaneie com pureza e me pergunte baixinho: tá doendo?


domingo, 24 de outubro de 2010

segue seu caminho.



“Deixa essa dor passar e eu juro que vou logo atrás de você.” 
Mentira, não te segui, pra falar a verdade nem pensei em olhar pra você para ver em que direção você estava indo. Naquele momento em que você me deixou para trás, só pelo fato de estar sentindo dor, você me provou que não me amava tanto quanto eu te amava, pois se amasse não me deixaria para trás. 
Senti ódio de você naquela hora, tanto ódio que não quiz mais saber teu caminho.
Depois de um tempo, senti que a dor foi aumentando, me levantei, mas cai novamente, pois ouvi sua risada e ouvi a risada de outra menina te acompanhando. Não levantei mais. 
Você não teve noção do quanto te amei? 
Você não sabia mesmo que doia em mim cada vez que você ria com ela?
Você nunca se lembrava dos momentos que passamos juntos?
Você nunca sentiu falta dos nossos beijos?
Você nunca me quis de volta?
Não precisa responder. Eu já sei que não. Ela é muito diferente de mim, quer dizer… ela não tem nada haver comigo, então isso significa que você nunca me amou. pois você diz que ela é perfeita, e eu fui oque? Imperfeita para você? mas então foi tudo mentira. cada dia, cada beijo, cada abraço, eu me entreguei para você! Eu fui tola. 
E continuo sendo, fico na cama o dia inteiro jogada, retorcida de dor, pois sempre imagino vocês dois juntos, e isso me mata. 
Vou morrer um dia, sei que vou morrer. E vou morrer sem você. 


desconheço.

domingo, 17 de outubro de 2010

Enquanto todos me dizem que preciso ser forte,que o silêncio é arma,a indiferença é o que mata,e viver é preciso,fugir de toda essa loucura que acomete as pessoas,o medo nojento que os outros têm de dar amor,e receber também em troca.O amor é essa ciranda onde todos rodeiam,e cantam,exibem sorrisos e feições de satisfação,em que eu me encontro excluída,sentada num canto,de braços cruzados e cara amarrada.Ninguém me convida,e fico apenas atenta,observando os casais que se completam,a vida que se move,e os beijos que não dou,as juras eternas que não escuto.Fujo algumas vezes, tapo os olhos em outras,mas a roda incessante e desgovernada apenas brinca de bobinho comigo e minha esperança em ser chamada;garotinha tola que quer se divertir um pouco,e não sabe entrar - apenas pedir, pedir e pedir,nunca penetrando de vez.Se deixando iludir por cartas,e signos,mensagens inoportunas,sinais divinos,que na verdade dizem nada e fantasiam qualquer dúvida posta em questão.
Fica difícil assim me focar em mim de imediato,em tudo que sinto,em curar a cada dia toda essa peste que me tomou o alma,e embeveceu a vivacidade que eu carreguei,até aqui:só se vê os defeitos,aquilo que precisa ser melhorado,e expectativas tão longínquas,que não satisfazem,e sim,enlouquecem.Só quando sozinha é que me deixo ficar meio down,e coloco o dedo na ferida.Escuto músicas sofríveis,e leio melancolias.Dói, mas passa.E esse desespero de me verem assim na fossa, mal à beça?Calma,que preciso escancarar essa dor até o final,que ela é só minha,e libertar o peito,a alma.Tirar talvez um ódio de onde não consigo,e de quem não tenho,mesmo que passageiro,para que eu sobreponha no local onde ainda há quase tudo o que sinto,e que precisa ser esvaziado,pouco a pouco.Sair desse poço,largar de vez o osso,desses restos que não alimentam, e sim,atrofiam o que de belo existia,e se queria profundamente.Porque ainda é setembro,e toda uma primavera virá,até que se torne verão novamente.Terá passado tanto tempo,que as respostas chegarão sem medo e nem culpa,e voltarei a ser inteira como fui até certo tempo.Sem voltas comemoradas,e inexplicáveis.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

deveria ser eu no lugar dela.

Estão todos rindo na minha mente,há rumores sobre essa outra garota se espalhando...você faz o que fazia quando estávamos juntos ? ela a ama como eu te amava ? você se esqueceu de todos os planos que fizemos ? por que,amor,eu não esqueci... Deveria ser eu segurando a sua mão. Deveria ser eu fazendo você rir. Deveria ser eu,isso é tão injusto. Deveria ser eu,deveria ser eu. Deveria ser eu sentindo o seu beijo. Deveria ser eu comprando presentes. Isso é tão errado,como posso continuar sem você ver que essa,deveria ser eu.
Você disse que precisava dar um tempo dos meus erros,engraçado como você usou esse tempo pra me substituir.Você achou que eu não ia te ver saindo com ela ? O que você está fazendo comigo ? você está a levando pra onde agente ia.Agora se você estiver tentando me magoar,acredite...está funcionando.
Eu já deveria saber.Luto por amor ou desisto ? 
está ficando cada vez mais difícil me livrar dessas dor.
deveria ser eu,e mais ninguém.


J.B

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

recomeço.


"E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói."

ninguém mais,só ele !


Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparada atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele(...)


Caio F. Abreu

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Não é por que eu sujei a roupa bem agora que eu já estava saindo...
nem mesmo por que eu peguei o maior trânsito e acabei perdendo o cinema...
não é por que não acho o papel onde anotei o telefone que eu tô precisando...
nem mesmo o dedo que eu cortei abrindo a lata e ainda continua sangrando...
não é por que fui mal na prova de geometria e periga d'eu repetir de ano...
nem mesmo o meu carro que parou de madrugada só por falta de gasolina...
não é por que ta muito frio...não é por que ta muito calor...
O problema é que eu te amo,não tenho dúvidas que com você daria certo.
Juntos faríamos tantos planos,com você o meu mundo ficaria completo.
Eu vejo nossos filhos brincando,e depois cresceriam e nos dariam netos !
...Não é por que eu sei que ele não virá que eu não veja a porta já se abrindo...
e que eu não queria te-lo,mesmo que não tenha a mínima lógica nesse raciocínio...
não é que eu esteja procurando no infinito a sorte pra andar comigo...
se a fé remove até montanhas,o desejo é o que torna o irreal possível...
não é por isso que eu não possa estar feliz e cantando...
não é por isso que ele não possa estar feliz e cantando...