quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Sophia: quente e fria.


Ela era um pouco estranha sabe? Tinha seus dias bons e ruins mas ambos eram cheios de conflitos internos. 
Era fria por fora, isso era fácil perceber pois suas mãos e pés viviam gelados e trincar os dentes de frio era pra ela uma coisa quase involuntária. 
Muito sensível ao vento, uma brisa leve que lhe rodeava ela já esfregava os braços de frio... Em contrapartida ela era quente por dentro. Mas isso só quem já esteve perto dela o suficiente pra sentir seu hálito morno saberia dizer. 

Só quem já esteve perto o suficiente pra ver suas bochechas um ou dois tons mas rosada que o normal saberia dizer.

Isso só quem já esteve perto o suficiente e foi capaz de senti-la por dentro saberia dizer. 
Em seus dias bons (dias esses que estavam quase extintos de seu calendário) a doçura que exalava de Sophia era contagiante. Ela se dedicava a mostrar pras pessoas o melhor dela e o fato de ela ser quente por dentro a deixava ainda mais doce e meiga. 
Sophia era daquelas meninas que a gente sente vontade de apresentar pra mãe, pra mãe sentir orgulho. 
Andava insegura, como se tivesse vergonha do seu corpo ou de alguma coisa em si, embora ela fosse muito bonita. 
Era como se ela andasse por ai procurando um alguém, como se ela necessitasse de um alguém, e o fato de ela ser fria por fora só comprovava a necessidade que ela sentia de braços a sua volta lhe esquentando. Dava pra ver na sua expressão que lhe faltava alguma coisa.
Em dias assim Sophia fazia trancinhas de lado e sorria sem nenhuma futilidade, parecia a garota mais feliz que eu já havia visto.
Em  seus dias ruins (Ah esses dias!) não havia nada de doce em seu rosto e a única coisa contagiante nessa Sophia era o desejo de alguma coisa errada.
O rosado natural de suas  bochechas era agora mais forte por conta da maquiagem. Seu hálito quente ainda estava presente, mas vinha acompanhado de um cheiro de álcool e não era fraco.
Sophia seria capaz de deixar alguém em chamas em dias assim apenas com um olhar.
Sim ela tinha fogo no olhar. Isso seria explicado pelo fato de ela ser quente por dentro. Ela era quente e sabia disso.
Andava com tamanha segurança como se soubesse que após passar, se olhasse para traz, teriam vários homens a admirando. E teria.
Tinha uma expressão fria, por conta de seu corpo frio por fora, e tinha personalidade, meio frustrada mas tinha. 
Essa Sophia era linda, não bonita, linda mesmo. Daquelas garotas que a gente sente vontade de levar embora e fazer besteira. 
Daquelas gostosas que você tem vontade de apresentar pra todos os seus amigos, só pra se gabar. 
Meu deus como era gostosa! 
Essa Sophia sem dúvida alguma se bastava e não andava procurando ninguém por ai. 
Não tinha necessidade nenhuma de outra pessoa ao seu lado. 
Não leh faltava quase nada, muot menos homens. O que lhe faltava era amor.
Para a minha infeliz sorte, conheci Sophia em um de seus dias bons e após 10 min de conversa eu a queria pra mim. Eu queria segura-la em meus braços e aquecê-la do frio que ela sentia exageradamente. 
Eu queria que ela fosse a minha menina Sophia, de tranças. E ela foi, enquanto era apenas essa Sophia.
Mas logo depois que conheci a outra não foi preciso muito pra que eu soubesse que eu iria me machucar. Eu tentei ser pra ela uma salvação sabe? 
Eu realmente pensei que ela só precisava de compreensão.  
Bem, eu estava errado, e assim que botei os olhos naquela Sophia eu soube que ela não era mais a  minha menina. Assim que botei os olhos nela eu soube que eu não tinha mais nada pra fazer ao lado dela.
Depois que fui embora a vi poucas vezes. Em uma delas eu não consegui decifrar em qual dos dias ela estava. Ela tinha a expressão fria, os olhos de fogo, a bochecha exageradamente rosada pela maquiagem mas ela estava acompanhada e posso afirmar que aquele era o alguém que a minha menina Sophia procurava. 
Digo isso pois vi a maneira como ela segurava a mão dele e ouvi a doçura inconfundivel em sua voz ao falar o nome dele. E por traz de todo aquele fogo, eu vi dentro dos seus olhos um brilho incomun, pupilas dilatadas e um olhar de veneração assim que pousava seus olhos na figura ao seu lado. 
Sim ela o amava. 
Era fácil de ver. 
E ele sabia que tinha todo o seu amor.
Mas sabia também que era uma questão de tempo até esse amor se esvaecer. Tinha tanta certeza disso que segurava a mão de Sophia como se ela fosse sair correndo a qualquer momento e acompanhava cada movimento dela como se ela estivesse tramando uma fuga desesperada, e talvez ela realmente estivesse.
E se eu fosse pra Sophia o que esse cara é agora eu teria ficado ao seu lado. Eu a teria obrigado a ser a minha Sophia, eu teria segurado a sua mão e iria acompanhar cada movimento dela. A teria trancado em cativeiro nos dias ruins se preciso fosse. 
Se iria adiantar eu não sei, mas eu teria tentado mais. 
Mas a Sophia nunca havia me olhado daquela maneira.
Sophia nunca havia falado meu nome com tal tom de devoção e amor.
Hoje, pensando melhor, percebo que Sophia sequer foi minha. 
Não, não minha. Foi de todos,menos minha.
Quando a vi acompanhada eu realmente pensei que talvez haveria agora uma salvação para aquela Sophia doce. Adivinhem ? Errado outra vez. 
Depois disso, da última vez que a vi, ela estava com certeza num dia ruim. 
Com uma garrafa de conhaque na mão e rodeada de homens.
Sophia botou fogo em mim quando me olhou. Senti meu corpo estremecer inteiro e tive vontade de fazer besteira com aquela Sophia.
E eu já tinha até me esquecido, mas meu deus, como pode se tão gostosa ?
- Ana




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