sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair, e me quebrar inteira na queda para depois restar incompleta, destruida.Talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morta, mais indefinida - e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero. Que espécie de coisa o cigarro queimou, além dos cabelos? Sei que foi mais fundo, mais dentro, que nessa ignorada dimensão rompeu alguma coisa que estava em marcha.Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse ao meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado, sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que voce tinha, assim como não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Voce sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação,caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. Caio F. de Abreu

domingo, 21 de agosto de 2011

(...) então os meus braços não vão ser suficiente pra abraçar você  e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando, meu Deus, como você me dói de vez em quando. Caio F. Abreu

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

pra mim.

Cena I -  '' Arthur chega em casa exausto depois de um longo dia cheio de  frivolidade. Chega se arrastando até o sofá e se esparrama por lá mesmo, e por lá fica. Reclama do seu dia e diz que veio direto pra casa pois queria chegar em casa e se deitar comigo. Eu fico calada, incapaz de dizer uma palavra sequer.  Só o observo e me divirto com  os tantos gestos que ele faz com as mãos. É que ele mal sabe que ainda fico nervosa com sua presença e que adoro sua cara de cansado e seu tom de reclamão. Ele se levantou  veio até mim em um  roçagar de passos que me deixou um tanto sonolenta. Reclinou-se sob meu ombro e  dormiu, dormiu, roncou, sorriu, resmungou. E eu nem sequer me movi. Não movi nem um musculosinho, nem meus olhos. Ele acordou assustado, e me perguntou ''o que é essa cara?'', que tipo de cara eu devia estar fazendo. É que ele mal sabe que não consigo tirar meus olhos dele e que adoro vê-lo dormindo...''
Cena II - ''Arthur chega em casa, com um sorriso de ponta a ponta, ofuscando meus olhos. Foi promovido. Chega pulando, me pega no colo me beija. Diz que  veio direto pra casa pois queria me contar e que quer sair pra comemorar. Vamos a um restaurante não muito longe. Comemos, rimos, nos alteramos, fizemos caretas e essas coisas que estamos acostumados a fazer com a comida,coisas que outra mulher não faria. Fomos embora, nos deitamos e alguns minutos depois ele estava dormindo. No meu ombro. E eu o observando...'' 
E de repente me veio uma alegria súbita uma confiança não sei de onde, uma vontade de ficar assim, só assim, parada com o meu Arthur cansado ou feliz no meu ombro.  E essa alegria se devia simplesmente por ele estar ali. Ele poderia estar em qualquer outro lugar, ele poderia estar em casas de festas, clubes, bares, mas não, ele estava ali. E mais, ele poderia estar com outras mulheres. Poderia estar com a exibida de pernas bonitas. Poderia estar com aquela menina de cabelos lisos que o rodeia. (menina a qual  nem ouso chamar de mulher pela idade que tem). Ele poderia até estar com aquela ex petulante de olhos claros. Mas não, ele estava comigo. Ele estava em mim. E querem saber mais ? acabei de descobrir que é disso que tiro tanta confiança. Porque eu sei, que no fim do dia, seja este frustrado, feliz, cansativo ou excitante, Arthur sempre, sempre voltará pra mim. No fim das contas, sou eu quem vai ouvir aquele ''tom de reclamão'' quando alguma coisa não der certo, não as pernas bonitas daquela atirada. Sou eu quem vai vê-lo sorrir enquanto dorme, quando ele estiver cansado... não os cabelos lisos da menina. E por fim, sou eu quem vai abraça-lo e beija-lo nas conquistas, e em todo o resto... não a ex de olhos cristalinos, desbocada. É pra mim que Arthur sempre voltará, e em mim que Arthur sempre estará.

- Ana

domingo, 17 de julho de 2011

O Pequeno Príncipe.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo ? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
- O Pequeno Principe.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

alívio imediato. 13/07

13/07. Sabe que muita gente acordou hoje e vai passar esse dia como se fosse qualquer outro. Eu não. Mas como todos os dias eu vou me levantar com muitas coisas pra te dizer, vou passar o dia tentando formular frases e textos pra te dizer essas coisas, e no final do dia, vou encostar minha cabeça no travesseiro, com todas essas coisas que deveriam ser ditas enroscadas na minha garganta. Acredite, não é uma sensação muito boa dormir com todas as desculpas e  explicações formando um nó na garganta... sem contar os  vários SINTO SUA FALTA que eu queria lhe dizer. É isso, tenho MUITO a dizer mas todas as vezes que eu tento, pronto, travo, não falo, engasgo... me sinto pobre de vocabulário quando procuro as palavras certas pra falar com você, pois nunca encontro as palavras certas... como está acontecendo agora. Te juro que vivo ensaiando vários abraços, e pulos no seu colo, e noites sem dormir... como costumava ser. Mas chega na hora do ''vamos ver'' me foge tudo... e agora ironia ou não, voltamos pra história do pulmão... acho que fico tanto tempo sem respirar, tanto tempo sem você, e quando te vejo me sinto afobada e tão desesperada pra respirar por inteiro novamente, que acabo esquecendo todo o resto. E todo o resto acaba virando só resto, se você está aqui. Me lembro que a alguns dias atrás, o pessoal queria te fazer um slide de aniversário, e me pediram pra te fazer um texto... e na hora que me pediram eu pensei COMO ESCREVER PRA ELA ? ... abri essa pagina um milhão de vezes, escrevi um milhão de coisas... e no fim NADA. Eu queria escrever de uma forma que você me entendesse, que você me sentisse, e enxergasse que EU AINDA ESTOU AQUI. Ainda sou eu aqui dentro, sou a mesma de sempre, talvez um pouco menos impulsiva. Mais acredite, ainda sou eu. E eu achei que seria difícil te fazer entender isso. Mas no fim eu acabei lembrando que você também é a mesma de sempre... e que você vai entender tudo o que eu quero dizer com esse texto, ou com esse monte de palavras jogadas, que não fazem sentido algum... No começo desse texto eu ainda não sabia qual seria a minha mensagem final ... mais agora eu sei : Giordana eu te amo... meu deus que saudade !
Parabéns. s2

domingo, 10 de julho de 2011

Serais ce possible alors

Me disseram que as nossas vidas não valem grande coisa. Que ela passa em instantes como rosas que murcham.
Me disseram que o tempo corre feito um bastardo, que faz das nossas tristezas seu lucro.

No entanto alguém me disse que você me amava... Foi isso mesmo que alguém me disse, que você me ama. 
Será isso possível ? 
 Me disseram que o destino debocha de nós. Que não nos dá nada e nos promete tudo.
Que ele faz parecer que a felicidade está ao nosso alcance, e então você estende as mãos e se descobre louco.
No entanto alguém me disse que você me amava... Sim. Foi isso mesmo que alguém me disse, que você me ama. 
Será mesmo possível ?
Mas quem foi mesmo que me disse que você me amava? Eu não me lembro mais. Já era tarde da noite e eu ainda ouço a voz, mais eu não vejo mais seus traços. "Ele ama você, isso é segredo, não diga a ele que eu te contei."
Sabe, alguém me disse que você me ama. Me disseram isso de verdade... Que você me amava. 
Será isso possível então ? 

ou toca ou não toca

''Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão.Tranqüilidade e inconstância, pedra e coração.Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer… Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato… Ou toca, ou não toca.”
Clarice Lispector

sábado, 9 de julho de 2011

você.

''Só você conheceu todos os meus medos, neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você. Ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de não ser boa o suficiente. Só você viu meu corpo de verdade. Minha alma de verdade. Meu choro baixinho embaixo da coberta.''

domingo, 3 de julho de 2011

Quando você voltar.

Vai, se você precisa ir, eu não quero mais brigar essa noite. Nossas acusações infantis e palavras mordazes que machucam tanto, não vão levar a nada como sempre.
Vai, clareia um pouco a cabeça, ja que você não quer conversar. Ja brigamos tanto, mais não vale a pena. Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a tv, sei que existe alguma coisa incomodando você.
Meu amor, cuidado na estrada e quando você voltar tranque o portão, feche a janela,apague a luz e saiba que eu te amo.

domingo, 29 de maio de 2011

Abstinência por ausência .

Não fumava há dias. Não sentia a dor de cabeça de um porre de sexta-feira há algumas semanas. Mas aquele amor que transformará em raiva a tinha acompanhado sempre, nos bares, nos dias inteiros na cama, nas manhãs em que acordava sozinha, ou no beijo de um desconhecido que nem chegava perto do que ela queria.
Abstinência por ausência . Não a do cigarro ou dos porres. Não da língua de outros, ou da sua vida feliz e emocionante aos olhos alheios. Só do que era de verdade. E emoção era sentir a mão dele pegando no rosto dela. Sentindo a falta de pressa em passar um dia inteiro juntos.
Abstinência que se faz no desencontro dos dois. Falta ela sentia da presença dele, e vice-versa.
_ Não leva o som da sua risada embora de novo . Ela disse .
E ele respondeu do modo mais simples e desejável possível . 
_ Eu amo você . Amo. Amo e amo . 

domingo, 8 de maio de 2011

uma.. duas... três.

Já era noite. Ele passava os canais da TV, ela apenas observava. Estavam na sala da casa dela, sentados no sofá. Ele queria parecer não se importar, só pra provocá-la; ela sabia e tentava ignorar, mas ela não era boa nisso, deixava transparecer qualquer emoção. Ele continuou sem dar atenção, ela apenas encostou a cabeça no sofá e fechou os olhos. Alguns minutos se passaram. Na cabeça dela corriam milhares de pensamentos, diálogos, perguntas, vontades... Mas ela só continuou ali como estava. Fazia silêncio e tudo o que era queria era acabar logo com essa falta de palavras, até porque ela tinha na ponta da língua as palavras que tanto queria dizer. Só faltava coragem. Ela queria dizer que o amava. Foi então que decidiu abrir os olhos e, surpreendentemente ele estava olhando pra ela, sorrindo. Ele fez apenas uma coisa: pronunciou aquelas três palavras, aquelas que estavam circulando pela cabeça dela há tanto tempo. Ela só sorriu e o abraçou, gostava de ficar ouvindo o coração dele bater... E permaneceu assim por algum tempo. Sabe de uma coisa? Ela nunca esteve tão feliz.

- Ana

quarta-feira, 4 de maio de 2011

 ”Não é fácil perdoar, olhar para esses olhos e agarrar essas mãos mirradas - respondeu ele - Beija-me e não me deixes ver os teus olhos! Perdoo-te o mal que ME fizeste. Porque eu amo quem me mata. Mas mataste a ti própria e como poderei eu perdoar quem te mata?” 
(O Morro dos Ventos Uivantes)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Eu prometi voltar. Acordei todos os dias caminhando para essa volta. Me esfreguei no banho prometendo, esperando o dia em que eu trocaria de pele e sairia voando. Ouvi músicas e vi filmes de vitória, sonhando com o dia. Decorei falas, roupas, olhares, cheiros. Mas, infelizmente, isso nunca vai acontecer. Quanto mais eu me aproximo do que seria a minha volta, mais longe eu estou de querer voltar. Quanto mais eu me recupero do que doeu tanto, menos vontade eu tenho de causar dor em alguém. Esse desejo incontrolável de voltar é apenas a vida me dizendo para andar pra frente e não voltar nunca mais.

sábado, 26 de março de 2011

Filha da Lua II


A filha da lua. Filha da grande lua ou Grande filha da lua, que possui em seu casulo duas personalidades, quatro caras, três almas, cinco pares de sapatos, uma forma de sorrir e um milhão de formas de me enlouquecer.
Herdeira da lua que me faz amar o modo como tira o cabelo do rosto, ou sua sobrancelha que curiosamente forma um coração.
A maldita menina que muda de opinião como muda de roupa e tudo pra tentar matar o meu amor. Não, nunca, jamais conseguirá. Sinto muito, é amor de mais. Jamais conseguirá.


A filha da lua que, apesar de odiar fazer o que faz, preferiu passar a vida se escondendo ao falar-me que tem medo de sofrer. E sofreu por se esconder. Justo.
E eu, filho do sol, que apesar de odiar o que ela faz quando se esconde, preferi passar a vida tentando lhe mostrar que sou o homem destinado a amar todas as suas personalidades, caras, alma e jeitos e formas... e tentando lhe provar que sou o único que o fará. Que amará e enlouquecerá.


- Ana

domingo, 20 de março de 2011

desgaste

Encosto minha cabeça no travesseiro. Nem acredito que posso finalmente chorar em paz, pensar em paz, descansar... Deus como essa vida cansa, e não quero dizer A MINHA VIDA CANSA  de um jeito egocêntrico, não. Estou dizendo que a vida em si cansa, gasta, molesta...
Acordo de manhã e sigo feliz, forte e realizada. Aparentemente. Quem ve minha aparência, não faz nem idéia de que na noite passada eu chorei até pegar no sono. Sono esse relutante em vir, e isso cansa também. 
Cansa! 
Cansa fingir, cansa soluçar e soluçar e soluçar até dormir...
Passo o dia em um estado de paz comovente, consigo até contaminar algumas pessoas ao meu redor apenas com meu estado de espírito ditoso. Aparentemente. 
Quem fica em paz ao meu lado e diz que isso se deve ao meu contentamento interior não sabe que uma onda de revolta me envolve e eu fico me perguntando PORQUE? sem nem uma explicação pra esse porque. 
Cansa!
Cansa ver as pessoas ao seu redor super satisfeitas e ter que esconder a sua sedição apenas para parecer conformada com tudo. 
Cansa soluçar e soluçar até dormir...
Eis que por fim, me vejo cansada de mais, cansada até pra me importar com a porra do meus conflitos internos. 
Cansada pra me importar com efeitos e consequencias e então qualquer solução me convém. Qualquer causa que me revigore e me tire desse inerte cansaço. 
E por fim me entrego ao que não me sustenta, não me convém, mas que me parece  a solução mais viável : O meu outro lado que inventei pra fazer esquecer, distrair e me sossegar, embora o último não aconteça. E descubro algo terrível num caminho aparentemente tranquilo, aparentemente. E eu que ja não sei mais o que ser, me deixo ser isso que não sou, só pelo conforto de não sentir cansaço. E  podem até dizer que é medo, receio, preguiça ou o caralho. Pra mim o nome disso ainda é solução...


''Durma querida, respire, descanse, e não precisa voltar para sofrer novamente. Porque é isso que acontece quando você deixa o seu coração te levar. Não confie querida, porque é isso que acontece quando você se deixa confiar. Relaxe e deixe que eu cuido de tudo por aqui... descanse meu bem e acorde só quando o meu eterno fim de semana acabar.''


-Ana 

quinta-feira, 17 de março de 2011

me despeço.

Me despeço, já sem aquela dor aterrorizante, das partes de você que mais amo.Ainda que eu nem te ame mesmo. E me despeço das partes da sua casa que eu mais amo. Ainda que nada disso seja amor. E entro no carro já sem chorar.As últimas três semanas chorando por você serviram ao menos para me secar por dentro.

quarta-feira, 16 de março de 2011

é ela,outra vez.

O olhar dilacerante era uma afronta. 
Os cabelos soltos, daqueles que vagam e acompanham a direção do vento, eram quase um xingamento. 
As unhas vermelhas ofendiam, ofuscavam, sugavam o brilho de meio mundo, seduziam, agitavam, acalmavam, faziam dormir. 
Era de um sabor extremo doce picante. Do tipo que ardia e acalentava.
As sobrancelhas levemente levantadas realçavam em Sophia a mulher que jamais conseguira ser. Apesar de possuir uma beleza que insultava, era dotada de um caráter avesso, uma espécie de anti-caráter. Era ilegal, ilegítima, imoral, envolvente, convidativa, repulsiva. Era o contrário do oposto, o oposto do inverso, era o término do fim e o início do começo.
Desfilava inocente pelas ruas e escondia a fixa posição de ré, de quem comete o pior dos crimes, é julgada, é bandida, é fugitiva, e já não é mais nada.
Vivia atormentada, e confesso ter sentido dó da Sophia – mas uma pena leve, uma preocupação ligeira, um daqueles pensamentos rápidos sobre corações alheios.
A incredulidade de uma bela mulher originava-se de um passado que só fazia remoer, afligir, ocupar, preocupar, doer, doer mais uma vez.
Não teria problemas em não correspondência de amores bobos caso não conhecesse um simples Bruno, um daqueles que se encontra por aí, cheio de chapéus e sapatos fechados, blusas disfarçadamente abertas, dos que sorriem sem mostrar os dentes e que guardam uma vida e uma história tão simples que viram canções de ninar em papos terríveis desprovidos de grandes ou fortes acontecimentos.
O cara comum apaixonara-se pela mulher teatralizada, dramática, lotada e cercada de falsos amores, enganados sentimentos, fajutos corações. Sentira amor uma única vez e isso bastara para que não mais se atrevesse a senti-lo.
Mas era cruel, atormentava com a excessividade de seu charme, a extravagância na escolha de palavras, a deselegância na apresentação de um amor longe de existir. Iludia, era iludida, fazia sofrer, dizia amar e pisava quase sem querer. Retorcia, quebrava, arruinava.
Recebia flores, abraços, amores, ouros, pratas, bronzes, carros, casas, vidas, homens, homens apaixonados, sempre homens, iludidos e desiludidos.
Intrigava, causava, mentia. Possuía uma, duas, três caras. As máscaras caíam pouco a pouco e a vontade incessante de doar-se confrontava-se com a culpa de ter recebido amor sem retribuir. Merecia ser feliz? Responda-me sem hesitar, merecia? Era uma bruxa bem vestida ou uma fada mal amada? Era um inseto irritante, minúsculo, incômodo. Falsa, não era amante, era a assassina e a vítima.
Abrigava um inimigo em seu próprio peito. Um coração sem pilhas, baterias, desligado de tomadas, defeituoso, frágil, antes escoltado, depois violado, carregado de um vazio que pesava sem pesar apesar de tanto sofrer.
Oferecia sem ter o quê oferecer e quando recebia não sabia a maneira de aceitar. Fugia com uma ou duas palavras ditas ou fugia muda. Era confete, serpentina, cerimônia fúnebre, chuva torrencial. Era vontade de viver, tristeza, disfarce de alegria, falsidade, mentira, era inocente, era culpada. Irreal, uma contradição. Não era uma mulher, era um paradoxo. Não era apenas um paradoxo, era quase uma mulher. Inconciliável, poderia ser uma autora de textos. Conflitante, vendia imagens de amores que nunca viveu. Era sem escrúpulos, sem medo de ser descoberta, não aprendera a sentir, a lidar, a ser tocada e tocar também. Era quase eu, quase você.
- Ana

domingo, 6 de março de 2011

na minha cama;

Estou jogada na minha cama.
Estou jogada assistindo essa menina e esse menino se amarem. Assistindo os olhos dessa menina brilharem como se vislumbrassem algo muito lindo e raro.
Aqui jogada, vendo esse menino dizer coisas lindas a ela, vendo ele a tocar com delicadeza. Cada palavra exala calor e brilho...
Estou jogada na minha cama quase acreditando que o amor desses dois é a  lua, ou o próprio sol.
Estou chorando na minha cama.
Chorando por que senti uma coisa pior que a morte:  a saudade. 
Estou jogada na minha cama,chorando porque percebi que esse menino tem o seu cheiro, e a sua voz, e o seu jeito, e o seu cabelo, e as suas palavras bonitas...
Estou em pedaços na minha cama.
Em pedaços por que essa menina esta maltratando esse menino que me lembra você e que talvez seja você. Estou em pedaços porque não quero que ninguém te faça sofrer. Como ela pode te maltratar ?
Estou me sentindo culpada na minha cama.
Estou me sentindo culpada porque percebi que essa menina que te maltrata, tem meus olhos, meus cabelos, minhas palavras e meus gestos... Estou me sentindo culpada porque percebi que essa menina que te faz mal talvez seja eu. Como eu posso te maltratar ? 
Estou aqui jogada, chorando, cheia de culpa, vendo reprises em preto e branco na minha cama.
E pra onde olho te vejo. 
Nos móveis desse quarto. 
nas paredes desse quarto.
Nos ecos e barulhos desse quarto.
Tudo isso é você. Você e a sua menina que te maltrata.
Tenho vontade de gritar ''ELA NÃO TE MERECE'', mas o medo que você escute é tão grande que o que sai da minha boca é “ELA TE AMA,SÓ NÃO SABE DEMONSTRAR”...
Eu estou jogada aqui onde tudo é você.
Não sei quanto tempo faz. Estou jogada porque a saudade me debilitou e a grande tragédia é ficar aqui jogada, acordada e me perguntando ‘’E SE?’’... 
Fiquei jogada observando essa menina, ela tinha uma expressão fria e pronunciava coisas que combinavam exatamente com sua expressão. Mas assim que o garoto foi embora ela quebrou, chorou. Acho que chorar não é a palavra certa, ela experniou, gritou e soluçou, como uma criança que quer muito alguma coisa mas não pode ter.
Ela chorou porque o queria muito, mais não podia te-lo.
Ela chorou porque tinha medo de ser dele e de ter ele pra chamar de seu.
Ela chorou porque não sabia ao certo o que era certo.
Ela chorou e gritou a ele que voltasse mas ele não a ouviu. 
E ai, por fim, ela chorou de saudade.
Ela o ama, qualquer um pode ver, mas é aquele grande e velho problema, ela não sabe demonstrar.

- Ana

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

saudade proibida

Na verdade nem eu tinha percebido, mas sonhei com você praticamente todas as noites. Fiz de tudo pra pensar em você em todos os momentos, todos eles. Mais uma vez eu ensaiei te contar todas as coisas.Eu achava que o que me fazia rir seria importante pra você. Teve uma hora que eu fiz de propósito. Querendo por querer eu apertei bem forte aquele amuleto e pensei tão forte em você, se é que pensamento tem força, que tive certeza de que você também estava pensando em mim naquela hora. 
Pensando bem eu nem tinha percebido, mas falava em você todas as vezes que surgia uma oportunidade, ou mesmo que não surgisse. Eu falava de você, um assunto que pra ninguém interessava, mas que pra mim era o único que tinha graça e valia à pena. Eu pensava em o que você estária pensando sobre tudo a minha volta e não parei sequer um segundo pra pensar sobre o que eu pensava sobre tudo aquilo. Mas o melhor, o melhor de todas as coisas é que eu nem percebi, nem me dei conta. Eu não estava nem aí. E nada disso me fez mal, nada disso me sugou. Se eu for lembrar pedacinho por pedacinho não foi só em você que eu pensei. Você era parte de mim e não era mais o todo. A diferença é que a parte que você ocupa é uma das mais importantes. Mesmo sendo importante abriu espaço pra tanta gente, pra tanta coisa que não importa quantas vezes eu pensei em você no passado, o que me faz lembrar é estar pensando em você no presente. E que merda é essa? Eu não sofri, não to sofrendo, isso não é normal e não tem graça nenhuma. Já me deixa assustada você ser apenas alguém e não o meu alguém.Já era o sexto dia. Eu tinha sido incrivelmente forte durante seis longos dias e no sétimo dia eu me peguei sem equilíbrio. Eu tive medo, como sempre. Eu fui ao banheiro, engoli uma vontade imensurável de chorar que de tão gigante arranhou com violência a minha garganta. Resgatei na bolsa aquele livro, tentei ler ouvindo sua voz, tentei sentir que você estava ali bem perto. Usei o perfume que você gosta, segurei o amuleto, engoli pela milésima vez o choro dolorido. Eu senti uma fisgada no peito, tão forte que rebateu na palma da mão e feriu a ponto de eu pronunciar um “Ai”. Todas às vezes de não ter percebido, todo amor que durante aqueles seis dias senti sem me assaltar, toda a falta de culpa por sonhar, falar e pensar em você a todo tempo. Tudo foi por água a baixo e eu senti a saudade que não podia. Era muita saudade, tanta que me fez sofrer e ai a vida teve um pouco mais de graça. Todo o amor comum se transformou na saudade que eu não podia sentir, mas senti. E foi a saudade mais bonita da minha vida. Se na hora tive medo agora tenho orgulho desse segredo. Eu senti a saudade proibida mais linda da minha vida, e senti por você.
-Ana

breve dialogo

- " Oi. É faz mesmo um tempo que a gente não conversa. Eu gosto de fica no meu quarto mãe. Não,ta tudo bem é só impressão. 
A mãe problemas todo mundo tem né? Pois é. 
É sobre isso que eu quero falar.Não mãe, por favor só me deixa falar. Vai me dizer que você nunca sentiu... Mãe você não sabe o que acontece. Mãe ele ta mudando. Sim eu acredito. Mãe por favor não faz isso. Eu quero conversa... E por que não confiaria? É tudo muito complicado. Mas você sabe o que acontece? Então...
Porque a senhora ta gritando? Eu sei. Ta bom mãe, se é assim que você pensa. Mas mãe, se você soubesse como é lindo... Mãe isso ai não tem nada a ver. Ta bom, ta bom... eu não quero discutir com vo.. Mas quem começou isso tudo foi v... ta bom mãe. Eu vou deitar. Vou volta pro meu quarto sim algum problema ?  Não grita mãe... Ahã,eu to mal educada sim.
Ta bom mãe, ta bom. 
É...
Não,nem quero...
Ta bom mãe. Ta, ja entendi... pois é mãe. boa noite!"


- Ana

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

22:51


Ela disse a ele logo ao entrar , despindo os ombros , e acendendo um free , que ser livre era uma opção favoravel , quando se era 'interna'. 
Entendido ou não , ele a abraçou , a pegando de costas e mordendo sua nuca , e disse que ser amigo , era uma opição livre , e que havia opnado por não se apaixonar ...

Ela então o disse , que era tão livre , que mesmo quando se apaixonava encontrava uma saída. Mesmo sem tentar , sugava , exatamente 'sugar' , todo o conhecimento e divertimento que se era possivel , que fosse atravéz do sexualismo, da lingua , do paladar , ou de conhecer outras pessoas e depois ela descartava o homem , e alimentava-se das novas memorias  que adquirá ... Isso no final das contas era uma pena. 
Ele feito homem (que não entende), sorriu e a pegou pelos cabelos. Ele sabia que ela gostava afinal 2 anos de amizade dá pra conhecer pontos fracos e saber exatamente onde pegar.  
Ela notou que ele usava o perfume preferido dela. Deixou que o cheiro dele se agarrasse ao cheiro dela. 
Aquela noite se abriu , fora os gemidos , fora o alcool , havia também a imaginação a flor da pele (literalmente) e o carinho que era usado em finais de semana casuais. 
Complexo demais para ser compreendido e 'febril' demais para ser lido por virgens ou pessoas vergonhosas né? Eu sei! Mas , é a realidade escrita em forma de conto, criado ou real , ninguém nunca vai saber. 
Só ela. 
Só ele.
 E o dono da 'suite 1113'. 
O que importa é realmente compreender o que aconteceu de fato lá, era sexo , era dor , era desgraça , era fantasia e principalmente a amizade de sua forma mais livre. 
O que é ser livre ? 
É gritar de madrugada ? 
É beber sem  ter 18 anos ? 
Comprar mulheres ? 
Usar drogas ? 
Liberdade , seja lá o que signifique para cada um de nós é ter licença para criar um personagem e escrever outro em cima deste. 
 A liberdade de ser aquilo que você quiser ser, quando quiser o ser. 
Quem sabe, assim como eu, você acabe sendo ninguém , mas mesmo ninguém é alguém. Ser ninguém é ser um alguém cheio de possibilidades. 
Então crie a sua liberdade e seja amigo dela, transe com ela, abuse dela , case-se com ela, tenha filhos com ela , espanque , mate e a ressusite depois. Faça da sua liberdade um Deus e ore para ele , ou não. 
Faça da sua liberdade sua inspiração e queira ser como ela, ou não. Isso é ser livre. 
 Ou então, não tenha liberdade e se limite a um só tipo de musica , um só objetivo, uma só possibilidade, mas isso também seria uma pena.
Em todo caso nesta hisótira, verdadeira ou não, a liberdade teve nome, dois anos de amizade, um cheiro bom e pegou exatamente no ponto franco. 

- Ana

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

não senti nada.


Senti aquele  líquido gelado descendo na minha garganta.
Minha cabeça estava doendo, ou pelo menos deveria estar, mas eu não estava sentindo nada.
Aquele clarão no céu escuro estava começando a  incomodar, e o barulho daquelas coisas coloridas deveria estar incomodando também. Mas eu não estava sentindo nadinha.
Todos ao meu redor com um brilho nos olhos, sorrindo, felizes. O clima era de uma felicidade quase palpável. 
E eu ? eu não estava sentindo nada. Sou capaz de dizer que eu não estava nem ali. Meu corpo podia estar,mas eu não estava la.
“Então é ano novo?” - Pensei comigo. – “Vida nova né? Hábitos novos, tudo novo? Então porque cargas d’água eu não me sinto nem um pouco nova ? Não me sinto diferente ?”
Talvez, só talvez, o álcool e todo o resto estivessem mesmo massacrando minha capacidade de sentir alguma coisa, por isso não havia um sentimento de renovação dentro de mim. 
Não havia ar de esperança pro próximo ano, não havia sentimento de amor, muito menos de prosperidade. Das poucas coisas que eu estava sentindo naquele momento, nenhuma delas era compatível com esses sentimentos de Ano Novo e eu não tinha razão pra sentir isso.
E em contrapartida, as coisas que eu deveria estar sentindo como culpa ou remorso, estavam também bem longes de mim. 
Eu tinha uma garrafa de uísque nas mãos e cada vez que olhava pra ela eu era tomada pelo sentimento não bom, esse sentimento me enchia de pensamentos ruins e me fazia desejar muito mal as pessoas.
Eu tinha um baseado na outra mão e cada vez que eu olhava pra ele me enchia do mesmo sentimento, dos mesmos pensamentos ruins, das mesmas coisas não boas. Mas eu gostava disso, e por gostar disso, passei a me sentir a pior pessoa do mundo. 
Alguém que gostava do que fazia mal. Alguém que não merecia o amor de ninguém. Não, eu não merecia.
Eu merecia mesmo era passar os domingos de chuva sozinha, sem ninguém pra assistir filme e dividir meu café.
Eu merecia ver todos a minha volta felizes e não conseguir chegar a essa felicidade nunca. 
E todas as coisas que me machucou um dia, e todos os amores não correspondidos, e todas noites não dormidas com os olhos inchados de chorar, e toda aquela dor que eu já sofri, tudo isso e muito mais...era merecido.
A vida ja havia me dado varios socos,mais eu ainda acho que foi pouco por tudo que eu fiz e por tudo que estava prestes a fazer.
E o meu lema de ''tudo que vai um dia volta'' fazia muito mais sentido quando eu levava o que me era de merecimento.
Dessas voltas que a vida da a única coisa que tirei de aprendizado foi mesmo isso, que tudo que vai volta, agora mais que comprovado. 
E vai, e volta... volta em dobro ainda. 
Mas acho que no fundo eu até gosto - "Deixa que a vida me devolva em dobro." eu dizia, "que quando chegar aqui em dobro, eu faço retornar pra ela em triplo."
Então eu, teimosa,  finco meus pés no chão e espero tudo que eu fiz voltar pra mim. E volta...
Mas quando volta sempre me encontra com um sorriso fútil, com meu uísque e meu baseado na mão, não sentindo nada. 
- Ana