quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

saudade proibida

Na verdade nem eu tinha percebido, mas sonhei com você praticamente todas as noites. Fiz de tudo pra pensar em você em todos os momentos, todos eles. Mais uma vez eu ensaiei te contar todas as coisas.Eu achava que o que me fazia rir seria importante pra você. Teve uma hora que eu fiz de propósito. Querendo por querer eu apertei bem forte aquele amuleto e pensei tão forte em você, se é que pensamento tem força, que tive certeza de que você também estava pensando em mim naquela hora. 
Pensando bem eu nem tinha percebido, mas falava em você todas as vezes que surgia uma oportunidade, ou mesmo que não surgisse. Eu falava de você, um assunto que pra ninguém interessava, mas que pra mim era o único que tinha graça e valia à pena. Eu pensava em o que você estária pensando sobre tudo a minha volta e não parei sequer um segundo pra pensar sobre o que eu pensava sobre tudo aquilo. Mas o melhor, o melhor de todas as coisas é que eu nem percebi, nem me dei conta. Eu não estava nem aí. E nada disso me fez mal, nada disso me sugou. Se eu for lembrar pedacinho por pedacinho não foi só em você que eu pensei. Você era parte de mim e não era mais o todo. A diferença é que a parte que você ocupa é uma das mais importantes. Mesmo sendo importante abriu espaço pra tanta gente, pra tanta coisa que não importa quantas vezes eu pensei em você no passado, o que me faz lembrar é estar pensando em você no presente. E que merda é essa? Eu não sofri, não to sofrendo, isso não é normal e não tem graça nenhuma. Já me deixa assustada você ser apenas alguém e não o meu alguém.Já era o sexto dia. Eu tinha sido incrivelmente forte durante seis longos dias e no sétimo dia eu me peguei sem equilíbrio. Eu tive medo, como sempre. Eu fui ao banheiro, engoli uma vontade imensurável de chorar que de tão gigante arranhou com violência a minha garganta. Resgatei na bolsa aquele livro, tentei ler ouvindo sua voz, tentei sentir que você estava ali bem perto. Usei o perfume que você gosta, segurei o amuleto, engoli pela milésima vez o choro dolorido. Eu senti uma fisgada no peito, tão forte que rebateu na palma da mão e feriu a ponto de eu pronunciar um “Ai”. Todas às vezes de não ter percebido, todo amor que durante aqueles seis dias senti sem me assaltar, toda a falta de culpa por sonhar, falar e pensar em você a todo tempo. Tudo foi por água a baixo e eu senti a saudade que não podia. Era muita saudade, tanta que me fez sofrer e ai a vida teve um pouco mais de graça. Todo o amor comum se transformou na saudade que eu não podia sentir, mas senti. E foi a saudade mais bonita da minha vida. Se na hora tive medo agora tenho orgulho desse segredo. Eu senti a saudade proibida mais linda da minha vida, e senti por você.
-Ana

breve dialogo

- " Oi. É faz mesmo um tempo que a gente não conversa. Eu gosto de fica no meu quarto mãe. Não,ta tudo bem é só impressão. 
A mãe problemas todo mundo tem né? Pois é. 
É sobre isso que eu quero falar.Não mãe, por favor só me deixa falar. Vai me dizer que você nunca sentiu... Mãe você não sabe o que acontece. Mãe ele ta mudando. Sim eu acredito. Mãe por favor não faz isso. Eu quero conversa... E por que não confiaria? É tudo muito complicado. Mas você sabe o que acontece? Então...
Porque a senhora ta gritando? Eu sei. Ta bom mãe, se é assim que você pensa. Mas mãe, se você soubesse como é lindo... Mãe isso ai não tem nada a ver. Ta bom, ta bom... eu não quero discutir com vo.. Mas quem começou isso tudo foi v... ta bom mãe. Eu vou deitar. Vou volta pro meu quarto sim algum problema ?  Não grita mãe... Ahã,eu to mal educada sim.
Ta bom mãe, ta bom. 
É...
Não,nem quero...
Ta bom mãe. Ta, ja entendi... pois é mãe. boa noite!"


- Ana

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

22:51


Ela disse a ele logo ao entrar , despindo os ombros , e acendendo um free , que ser livre era uma opção favoravel , quando se era 'interna'. 
Entendido ou não , ele a abraçou , a pegando de costas e mordendo sua nuca , e disse que ser amigo , era uma opição livre , e que havia opnado por não se apaixonar ...

Ela então o disse , que era tão livre , que mesmo quando se apaixonava encontrava uma saída. Mesmo sem tentar , sugava , exatamente 'sugar' , todo o conhecimento e divertimento que se era possivel , que fosse atravéz do sexualismo, da lingua , do paladar , ou de conhecer outras pessoas e depois ela descartava o homem , e alimentava-se das novas memorias  que adquirá ... Isso no final das contas era uma pena. 
Ele feito homem (que não entende), sorriu e a pegou pelos cabelos. Ele sabia que ela gostava afinal 2 anos de amizade dá pra conhecer pontos fracos e saber exatamente onde pegar.  
Ela notou que ele usava o perfume preferido dela. Deixou que o cheiro dele se agarrasse ao cheiro dela. 
Aquela noite se abriu , fora os gemidos , fora o alcool , havia também a imaginação a flor da pele (literalmente) e o carinho que era usado em finais de semana casuais. 
Complexo demais para ser compreendido e 'febril' demais para ser lido por virgens ou pessoas vergonhosas né? Eu sei! Mas , é a realidade escrita em forma de conto, criado ou real , ninguém nunca vai saber. 
Só ela. 
Só ele.
 E o dono da 'suite 1113'. 
O que importa é realmente compreender o que aconteceu de fato lá, era sexo , era dor , era desgraça , era fantasia e principalmente a amizade de sua forma mais livre. 
O que é ser livre ? 
É gritar de madrugada ? 
É beber sem  ter 18 anos ? 
Comprar mulheres ? 
Usar drogas ? 
Liberdade , seja lá o que signifique para cada um de nós é ter licença para criar um personagem e escrever outro em cima deste. 
 A liberdade de ser aquilo que você quiser ser, quando quiser o ser. 
Quem sabe, assim como eu, você acabe sendo ninguém , mas mesmo ninguém é alguém. Ser ninguém é ser um alguém cheio de possibilidades. 
Então crie a sua liberdade e seja amigo dela, transe com ela, abuse dela , case-se com ela, tenha filhos com ela , espanque , mate e a ressusite depois. Faça da sua liberdade um Deus e ore para ele , ou não. 
Faça da sua liberdade sua inspiração e queira ser como ela, ou não. Isso é ser livre. 
 Ou então, não tenha liberdade e se limite a um só tipo de musica , um só objetivo, uma só possibilidade, mas isso também seria uma pena.
Em todo caso nesta hisótira, verdadeira ou não, a liberdade teve nome, dois anos de amizade, um cheiro bom e pegou exatamente no ponto franco. 

- Ana

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

não senti nada.


Senti aquele  líquido gelado descendo na minha garganta.
Minha cabeça estava doendo, ou pelo menos deveria estar, mas eu não estava sentindo nada.
Aquele clarão no céu escuro estava começando a  incomodar, e o barulho daquelas coisas coloridas deveria estar incomodando também. Mas eu não estava sentindo nadinha.
Todos ao meu redor com um brilho nos olhos, sorrindo, felizes. O clima era de uma felicidade quase palpável. 
E eu ? eu não estava sentindo nada. Sou capaz de dizer que eu não estava nem ali. Meu corpo podia estar,mas eu não estava la.
“Então é ano novo?” - Pensei comigo. – “Vida nova né? Hábitos novos, tudo novo? Então porque cargas d’água eu não me sinto nem um pouco nova ? Não me sinto diferente ?”
Talvez, só talvez, o álcool e todo o resto estivessem mesmo massacrando minha capacidade de sentir alguma coisa, por isso não havia um sentimento de renovação dentro de mim. 
Não havia ar de esperança pro próximo ano, não havia sentimento de amor, muito menos de prosperidade. Das poucas coisas que eu estava sentindo naquele momento, nenhuma delas era compatível com esses sentimentos de Ano Novo e eu não tinha razão pra sentir isso.
E em contrapartida, as coisas que eu deveria estar sentindo como culpa ou remorso, estavam também bem longes de mim. 
Eu tinha uma garrafa de uísque nas mãos e cada vez que olhava pra ela eu era tomada pelo sentimento não bom, esse sentimento me enchia de pensamentos ruins e me fazia desejar muito mal as pessoas.
Eu tinha um baseado na outra mão e cada vez que eu olhava pra ele me enchia do mesmo sentimento, dos mesmos pensamentos ruins, das mesmas coisas não boas. Mas eu gostava disso, e por gostar disso, passei a me sentir a pior pessoa do mundo. 
Alguém que gostava do que fazia mal. Alguém que não merecia o amor de ninguém. Não, eu não merecia.
Eu merecia mesmo era passar os domingos de chuva sozinha, sem ninguém pra assistir filme e dividir meu café.
Eu merecia ver todos a minha volta felizes e não conseguir chegar a essa felicidade nunca. 
E todas as coisas que me machucou um dia, e todos os amores não correspondidos, e todas noites não dormidas com os olhos inchados de chorar, e toda aquela dor que eu já sofri, tudo isso e muito mais...era merecido.
A vida ja havia me dado varios socos,mais eu ainda acho que foi pouco por tudo que eu fiz e por tudo que estava prestes a fazer.
E o meu lema de ''tudo que vai um dia volta'' fazia muito mais sentido quando eu levava o que me era de merecimento.
Dessas voltas que a vida da a única coisa que tirei de aprendizado foi mesmo isso, que tudo que vai volta, agora mais que comprovado. 
E vai, e volta... volta em dobro ainda. 
Mas acho que no fundo eu até gosto - "Deixa que a vida me devolva em dobro." eu dizia, "que quando chegar aqui em dobro, eu faço retornar pra ela em triplo."
Então eu, teimosa,  finco meus pés no chão e espero tudo que eu fiz voltar pra mim. E volta...
Mas quando volta sempre me encontra com um sorriso fútil, com meu uísque e meu baseado na mão, não sentindo nada. 
- Ana