sábado, 26 de março de 2011

Filha da Lua II


A filha da lua. Filha da grande lua ou Grande filha da lua, que possui em seu casulo duas personalidades, quatro caras, três almas, cinco pares de sapatos, uma forma de sorrir e um milhão de formas de me enlouquecer.
Herdeira da lua que me faz amar o modo como tira o cabelo do rosto, ou sua sobrancelha que curiosamente forma um coração.
A maldita menina que muda de opinião como muda de roupa e tudo pra tentar matar o meu amor. Não, nunca, jamais conseguirá. Sinto muito, é amor de mais. Jamais conseguirá.


A filha da lua que, apesar de odiar fazer o que faz, preferiu passar a vida se escondendo ao falar-me que tem medo de sofrer. E sofreu por se esconder. Justo.
E eu, filho do sol, que apesar de odiar o que ela faz quando se esconde, preferi passar a vida tentando lhe mostrar que sou o homem destinado a amar todas as suas personalidades, caras, alma e jeitos e formas... e tentando lhe provar que sou o único que o fará. Que amará e enlouquecerá.


- Ana

domingo, 20 de março de 2011

desgaste

Encosto minha cabeça no travesseiro. Nem acredito que posso finalmente chorar em paz, pensar em paz, descansar... Deus como essa vida cansa, e não quero dizer A MINHA VIDA CANSA  de um jeito egocêntrico, não. Estou dizendo que a vida em si cansa, gasta, molesta...
Acordo de manhã e sigo feliz, forte e realizada. Aparentemente. Quem ve minha aparência, não faz nem idéia de que na noite passada eu chorei até pegar no sono. Sono esse relutante em vir, e isso cansa também. 
Cansa! 
Cansa fingir, cansa soluçar e soluçar e soluçar até dormir...
Passo o dia em um estado de paz comovente, consigo até contaminar algumas pessoas ao meu redor apenas com meu estado de espírito ditoso. Aparentemente. 
Quem fica em paz ao meu lado e diz que isso se deve ao meu contentamento interior não sabe que uma onda de revolta me envolve e eu fico me perguntando PORQUE? sem nem uma explicação pra esse porque. 
Cansa!
Cansa ver as pessoas ao seu redor super satisfeitas e ter que esconder a sua sedição apenas para parecer conformada com tudo. 
Cansa soluçar e soluçar até dormir...
Eis que por fim, me vejo cansada de mais, cansada até pra me importar com a porra do meus conflitos internos. 
Cansada pra me importar com efeitos e consequencias e então qualquer solução me convém. Qualquer causa que me revigore e me tire desse inerte cansaço. 
E por fim me entrego ao que não me sustenta, não me convém, mas que me parece  a solução mais viável : O meu outro lado que inventei pra fazer esquecer, distrair e me sossegar, embora o último não aconteça. E descubro algo terrível num caminho aparentemente tranquilo, aparentemente. E eu que ja não sei mais o que ser, me deixo ser isso que não sou, só pelo conforto de não sentir cansaço. E  podem até dizer que é medo, receio, preguiça ou o caralho. Pra mim o nome disso ainda é solução...


''Durma querida, respire, descanse, e não precisa voltar para sofrer novamente. Porque é isso que acontece quando você deixa o seu coração te levar. Não confie querida, porque é isso que acontece quando você se deixa confiar. Relaxe e deixe que eu cuido de tudo por aqui... descanse meu bem e acorde só quando o meu eterno fim de semana acabar.''


-Ana 

quinta-feira, 17 de março de 2011

me despeço.

Me despeço, já sem aquela dor aterrorizante, das partes de você que mais amo.Ainda que eu nem te ame mesmo. E me despeço das partes da sua casa que eu mais amo. Ainda que nada disso seja amor. E entro no carro já sem chorar.As últimas três semanas chorando por você serviram ao menos para me secar por dentro.

quarta-feira, 16 de março de 2011

é ela,outra vez.

O olhar dilacerante era uma afronta. 
Os cabelos soltos, daqueles que vagam e acompanham a direção do vento, eram quase um xingamento. 
As unhas vermelhas ofendiam, ofuscavam, sugavam o brilho de meio mundo, seduziam, agitavam, acalmavam, faziam dormir. 
Era de um sabor extremo doce picante. Do tipo que ardia e acalentava.
As sobrancelhas levemente levantadas realçavam em Sophia a mulher que jamais conseguira ser. Apesar de possuir uma beleza que insultava, era dotada de um caráter avesso, uma espécie de anti-caráter. Era ilegal, ilegítima, imoral, envolvente, convidativa, repulsiva. Era o contrário do oposto, o oposto do inverso, era o término do fim e o início do começo.
Desfilava inocente pelas ruas e escondia a fixa posição de ré, de quem comete o pior dos crimes, é julgada, é bandida, é fugitiva, e já não é mais nada.
Vivia atormentada, e confesso ter sentido dó da Sophia – mas uma pena leve, uma preocupação ligeira, um daqueles pensamentos rápidos sobre corações alheios.
A incredulidade de uma bela mulher originava-se de um passado que só fazia remoer, afligir, ocupar, preocupar, doer, doer mais uma vez.
Não teria problemas em não correspondência de amores bobos caso não conhecesse um simples Bruno, um daqueles que se encontra por aí, cheio de chapéus e sapatos fechados, blusas disfarçadamente abertas, dos que sorriem sem mostrar os dentes e que guardam uma vida e uma história tão simples que viram canções de ninar em papos terríveis desprovidos de grandes ou fortes acontecimentos.
O cara comum apaixonara-se pela mulher teatralizada, dramática, lotada e cercada de falsos amores, enganados sentimentos, fajutos corações. Sentira amor uma única vez e isso bastara para que não mais se atrevesse a senti-lo.
Mas era cruel, atormentava com a excessividade de seu charme, a extravagância na escolha de palavras, a deselegância na apresentação de um amor longe de existir. Iludia, era iludida, fazia sofrer, dizia amar e pisava quase sem querer. Retorcia, quebrava, arruinava.
Recebia flores, abraços, amores, ouros, pratas, bronzes, carros, casas, vidas, homens, homens apaixonados, sempre homens, iludidos e desiludidos.
Intrigava, causava, mentia. Possuía uma, duas, três caras. As máscaras caíam pouco a pouco e a vontade incessante de doar-se confrontava-se com a culpa de ter recebido amor sem retribuir. Merecia ser feliz? Responda-me sem hesitar, merecia? Era uma bruxa bem vestida ou uma fada mal amada? Era um inseto irritante, minúsculo, incômodo. Falsa, não era amante, era a assassina e a vítima.
Abrigava um inimigo em seu próprio peito. Um coração sem pilhas, baterias, desligado de tomadas, defeituoso, frágil, antes escoltado, depois violado, carregado de um vazio que pesava sem pesar apesar de tanto sofrer.
Oferecia sem ter o quê oferecer e quando recebia não sabia a maneira de aceitar. Fugia com uma ou duas palavras ditas ou fugia muda. Era confete, serpentina, cerimônia fúnebre, chuva torrencial. Era vontade de viver, tristeza, disfarce de alegria, falsidade, mentira, era inocente, era culpada. Irreal, uma contradição. Não era uma mulher, era um paradoxo. Não era apenas um paradoxo, era quase uma mulher. Inconciliável, poderia ser uma autora de textos. Conflitante, vendia imagens de amores que nunca viveu. Era sem escrúpulos, sem medo de ser descoberta, não aprendera a sentir, a lidar, a ser tocada e tocar também. Era quase eu, quase você.
- Ana

domingo, 6 de março de 2011

na minha cama;

Estou jogada na minha cama.
Estou jogada assistindo essa menina e esse menino se amarem. Assistindo os olhos dessa menina brilharem como se vislumbrassem algo muito lindo e raro.
Aqui jogada, vendo esse menino dizer coisas lindas a ela, vendo ele a tocar com delicadeza. Cada palavra exala calor e brilho...
Estou jogada na minha cama quase acreditando que o amor desses dois é a  lua, ou o próprio sol.
Estou chorando na minha cama.
Chorando por que senti uma coisa pior que a morte:  a saudade. 
Estou jogada na minha cama,chorando porque percebi que esse menino tem o seu cheiro, e a sua voz, e o seu jeito, e o seu cabelo, e as suas palavras bonitas...
Estou em pedaços na minha cama.
Em pedaços por que essa menina esta maltratando esse menino que me lembra você e que talvez seja você. Estou em pedaços porque não quero que ninguém te faça sofrer. Como ela pode te maltratar ?
Estou me sentindo culpada na minha cama.
Estou me sentindo culpada porque percebi que essa menina que te maltrata, tem meus olhos, meus cabelos, minhas palavras e meus gestos... Estou me sentindo culpada porque percebi que essa menina que te faz mal talvez seja eu. Como eu posso te maltratar ? 
Estou aqui jogada, chorando, cheia de culpa, vendo reprises em preto e branco na minha cama.
E pra onde olho te vejo. 
Nos móveis desse quarto. 
nas paredes desse quarto.
Nos ecos e barulhos desse quarto.
Tudo isso é você. Você e a sua menina que te maltrata.
Tenho vontade de gritar ''ELA NÃO TE MERECE'', mas o medo que você escute é tão grande que o que sai da minha boca é “ELA TE AMA,SÓ NÃO SABE DEMONSTRAR”...
Eu estou jogada aqui onde tudo é você.
Não sei quanto tempo faz. Estou jogada porque a saudade me debilitou e a grande tragédia é ficar aqui jogada, acordada e me perguntando ‘’E SE?’’... 
Fiquei jogada observando essa menina, ela tinha uma expressão fria e pronunciava coisas que combinavam exatamente com sua expressão. Mas assim que o garoto foi embora ela quebrou, chorou. Acho que chorar não é a palavra certa, ela experniou, gritou e soluçou, como uma criança que quer muito alguma coisa mas não pode ter.
Ela chorou porque o queria muito, mais não podia te-lo.
Ela chorou porque tinha medo de ser dele e de ter ele pra chamar de seu.
Ela chorou porque não sabia ao certo o que era certo.
Ela chorou e gritou a ele que voltasse mas ele não a ouviu. 
E ai, por fim, ela chorou de saudade.
Ela o ama, qualquer um pode ver, mas é aquele grande e velho problema, ela não sabe demonstrar.

- Ana