domingo, 29 de maio de 2011

Abstinência por ausência .

Não fumava há dias. Não sentia a dor de cabeça de um porre de sexta-feira há algumas semanas. Mas aquele amor que transformará em raiva a tinha acompanhado sempre, nos bares, nos dias inteiros na cama, nas manhãs em que acordava sozinha, ou no beijo de um desconhecido que nem chegava perto do que ela queria.
Abstinência por ausência . Não a do cigarro ou dos porres. Não da língua de outros, ou da sua vida feliz e emocionante aos olhos alheios. Só do que era de verdade. E emoção era sentir a mão dele pegando no rosto dela. Sentindo a falta de pressa em passar um dia inteiro juntos.
Abstinência que se faz no desencontro dos dois. Falta ela sentia da presença dele, e vice-versa.
_ Não leva o som da sua risada embora de novo . Ela disse .
E ele respondeu do modo mais simples e desejável possível . 
_ Eu amo você . Amo. Amo e amo . 

domingo, 8 de maio de 2011

uma.. duas... três.

Já era noite. Ele passava os canais da TV, ela apenas observava. Estavam na sala da casa dela, sentados no sofá. Ele queria parecer não se importar, só pra provocá-la; ela sabia e tentava ignorar, mas ela não era boa nisso, deixava transparecer qualquer emoção. Ele continuou sem dar atenção, ela apenas encostou a cabeça no sofá e fechou os olhos. Alguns minutos se passaram. Na cabeça dela corriam milhares de pensamentos, diálogos, perguntas, vontades... Mas ela só continuou ali como estava. Fazia silêncio e tudo o que era queria era acabar logo com essa falta de palavras, até porque ela tinha na ponta da língua as palavras que tanto queria dizer. Só faltava coragem. Ela queria dizer que o amava. Foi então que decidiu abrir os olhos e, surpreendentemente ele estava olhando pra ela, sorrindo. Ele fez apenas uma coisa: pronunciou aquelas três palavras, aquelas que estavam circulando pela cabeça dela há tanto tempo. Ela só sorriu e o abraçou, gostava de ficar ouvindo o coração dele bater... E permaneceu assim por algum tempo. Sabe de uma coisa? Ela nunca esteve tão feliz.

- Ana

quarta-feira, 4 de maio de 2011

 ”Não é fácil perdoar, olhar para esses olhos e agarrar essas mãos mirradas - respondeu ele - Beija-me e não me deixes ver os teus olhos! Perdoo-te o mal que ME fizeste. Porque eu amo quem me mata. Mas mataste a ti própria e como poderei eu perdoar quem te mata?” 
(O Morro dos Ventos Uivantes)